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domingo, 26 de fevereiro de 2023

Rebobinando filmes na escuridão (2020)

A conexão entre os mundos pelo sono, ou mesmo interestelar, era o que me trazia à mesa de operações cirúrgicas daquela dimensão simulada à nossa. Fishbourne participava como cirurgião tal qual mandava o script de The Signal, mas ali também a C... havia sido recriada. A aparência, o jeito único de falar, até mesmo os sentimentos. Tudo para que aquela dimensão incompreensível pudesse ser mais acessível (e tentavam fazer com que tudo fosse natural) à mim. Tão acessível quanto seus capacetes e tecidos prateados. Eles diziam que era para a minha própria proteção. 


Um edifício no meio do mundo e um corpo "estranho" no centro daquele planeta. No que eu precisaria ser operado? À qual nova realidade eles estavam tentando me adaptar? Tudo o que havia de humano ali era mera fachada. Confortável fuga à realidade é ouvi-la dizendo o que quero ouvir. Ao fundo, no corredor do hospital, uma voz insistia em repetir a cada 20 segundos que "a tecnologia humana era complexa, mas que o ser-humano destruía o seu ambiente". Parecia que algo estava danificado, ou talvez fosse mesmo a missão dele ali. Talvez os seres deste outro planeta "mais evoluído" entendam melhor do assunto do que os próprios humanos. Mas era apenas a escuridão do olhar da C... que me puxava dentro de si. Não era de verniz “reptiliano”, mas trazia uma naturalidade humana assustadora, era alguém que eu tinha a mais forte intuição de que não era uma humana como nós. 


Como todos eles me deram como pressuposto que eu já não estava em "casa" e mesmo assim tudo aquilo parecia tão próximo? Eu sentia a realidade humana onde ela já não existia. Vocês... Que fazem parecer que são "humanos evoluídos", ao menos recriarão os acordes do piano (já que a essência da dama de orquestra nunca será a mesma) com remixes de Örsten? Conseguem trazer aquelas melodias dos hotéis europeus ou de 'Hôtel Costes' para cá? Só não deixem entrar na sala médica a neurologista e a psicóloga que dizem trazer paz à minha mente, sendo que elas também me trouxeram até aqui.


Filme The Signal - Trailer


Tour de Manège - Sick Planet


Örsten - Cuts From The Past


 


domingo, 5 de fevereiro de 2023

Stay On These Roads

No texto de hoje, o primeiro de 2023 no blog "Poesia e Romantismo", trarei um vídeo com algumas cenas da carreira da atriz Jennifer Connelly (atualmente conhecida pela participação em Top Gun Maverick) com a trilha sonora do grupo A-ha - Stay On These Roads. A conexão entre ambos é inevitável, visto que a música é datada de 1988 e a atriz nascida em Cairo - Nova Iorque, começou a atuar na indústria hollywoodiana ainda adolescente nos anos 1980, mais exatamente em 1984, aos 14 anos no filme "Era uma vez na América". Grande parte das cenas presentes da coleção de recortes das participações da atriz remonta ao filme "Construíndo uma Carreira", uma comédia de 1991 protagonizada com Frank Whaley.

Mas o real motivo dessa intertextualidade, entre uma música que cultiva em sua letra a esperança da volta de um amor do passado e sua espera interminável, com cenas de diferentes filmes de Connelly e reflexões pessoais, se deve muito ao fato de que a atriz estadunidense, ou ao menos a versão adolescente dela, muito me remetia à uma paixão do passado, em um momento pelo qual a fuga da realidade parecia ser necessária e as comparações entre ambas já eram inevitáveis. 

Confesso que me dei conta sobre a atriz Jennifer Connelly e suas atuações em Hollywood talvez apenas há dois anos atrás, talvez por não ser uma atriz tão midiática e de vida mais discreta. Prova disso inclusive foi que a criação do Instagram dela se deu há pouco tempo atrás. 

Ainda em 2021, e mais especificamente na crônica "Cavalo de Tróia" é possível se observar em determinado momento da trama a inevitável comparação de aparência e visual entre Connelly e a protagonista da história, como veremos a seguir:

"Nosso protagonista tentava organizar os pensamentos em questão enquanto dirigia sua Caravan em direção à sua residência. No som do carro, os clássicos dos anos 80 tocavam durante o trajeto. Ali havia espaço para várias bandas e cantores como: The Style Council, Swing Out Sister, Billy Ocean, Michael Jackson, Simply Red, Tears for Fears, Spandau Ballet e tantos outros. Enquanto isso, lá na Casa Branca, e mais exatamente no Salão Oval, a presidente passava o dia assinando memorandos, ordens executivas, enquanto monitorava as notícias pelo computador. Apesar da aparente tensão diária, ao menos no gosto musical parecia conectada com nosso protagonista e ali também se sentia naquela situação dos mesmos anos 80 (inclusive o seu visual à la Jennifer Connelly no início da carreira reforçava ainda mais a áurea daquela época). Esse costume certamente a ajudava a se concentrar melhor nas suas atividades diárias, visto que em alguns momentos o que alguns chamavam como “um certo déficit de atenção” (que ela nunca comentava com ninguém) a acometia e prejudicava a realização de alguns de seus compromissos diários."

Um ano depois, um pequeno texto produzido no bloco de notas do celular também trazia tais elementos:

"Ouvindo as músicas dos anos 80, criando a atmosfera e esperando que aquela Jennifer Connelly, objeto da minha criatividade entre pela porta e em surpreenda no trabalho"

Outro texto reflexivo, dessa vez escrito em outubro de 2021, também trazia uma intertextualidade com a presença da atriz e dessa vez sob a presença do grupo de jazz "The Style Council":

"Os acordes marcantes do jazz de The Style Council trazendo novamente a figura de Jennifer Connelly no auge dos anos 80. Ou seria a daquela inocente K... dos tempos escolares? Sempre me fiz essa pergunta. Ao me aproximar do salão escuro com uma única luz focada na estrela, fazendo um círculo por onde andava, enquanto o olhar da artista ao me notar era como se fosse o da bailarina, ambos realmente se confundiam. Não era um olhar de lágrimas como em outros encontros que tivemos. Havia serenidade, leveza naquele semblante. O seu olhar era muito mais convidativo dessa vez. O visual era o de uma musa do jazz, com seu forte penteado de época, o batom fortemente vermelho, um colar de pérolas, além de um vestido preto de cetim e um scarpin da mesma cor. Todos os espectadores, inclusive eu, estávamos de terno. Talvez fosse uma volta ao tempo não de 6 ou 10 anos e sim algo mais profundo, de tempos mais distantes. Nas cordas vocais uma suavidade enleante. Os olhos verdes sempre evocaram pureza, mas não dessa vez. Talvez fossem mesmo de Jennifer. Talvez K... não estivesse agora em The Paris Match, mas The Style Council fazia parte de sua trilha sonora na dramaturgia tão bem protagonizada em histórias noturnas como essa. Assim todos nós nos encontramos casados com as notas do jazz ao sol da meia noite, em sua essência e na de minha inspiração."

Abaixo, o vídeo "Stay On These Roads", mencionado no início do texto, com algumas cenas da carreira de Connelly.

Obs: A propósito, talvez o leitor se pergunte sobre como cheguei ao vídeo em questão, naqueles meados de 2022, mas creio que a minha essência, exposta na do protagonista de "Cavalo de Tróia", possa responder muito bem a essa pergunta. 


A-ha - Stay On These Roads