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domingo, 28 de junho de 2020

Deus, a czarina e os homens (2019)

 

Que o nosso Deus seja louvado

Do primeiro ao último verso

De glórias e piedade tão amado

Diante de tanto culto ao inverso

 

Perdoe o tão vil g...

Que seu legado deseja destruir

Nos proteja de tanto autoritarismo

Líderes em sua palavra a desnutrir

 

Ou deles fazem hipócrita proteção

Não existe milagre ou magia

Para limpar o sangue da sua mão

Se a censura for sua liturgia

 

Das convicções veio a colisão

O poeta entendeu a triste tradição

Não era suficiente sua submissão

Aos homens mostrar sua rendição

 

Se existe o destino manifesto

Para a alma eu reencontrar

Calarei todo rebelde protesto

Feitos eslavos exaltar

 

Deixo que o caminho à vida eterna

Julgue os algozes da liberdade

Cumprida a paixão interna e fraterna

Tocado pela divina piedade

 

Ele que me abraçou na desilusão

Me ligou à abençoada czarina

A carne vive, a alma canta de paixão

Ressuscito na sua pureza de menina

 

Ode ao fico (2019)

Nos dois próximos posts selecionei duas das últimas poesias que escrevi em 2019, ano pelo qual ainda no primeiro semestre adotei a decisão de mudar a forma de expressão artística que me utilizei por seis anos até então. A decisão partiu de uma intensa mudança de rotina, que apesar de ter tido a duração de um semestre, trouxe um modelo literário que adoto até os dias atuais.

Em março daquele ano, após consolidar uma rotina que envolvia aulas matutinas e noturnas em dois dias (e uma matutina em outro dia) por semana e jornada de trabalho de aproximadamente seis horas no período vespertino, percebi que raramente teria o tempo necessário para desenvolver poesias na estrutura formal de versos e rimas que eu adotava até aquele momento. 

Após algumas tentativas de permanecer com o modelo tradicional de poesias, como nas duas poesias a serem exibidas a seguir, percebi que escrevê-las no período do início da madrugada e não em um momento mais acessível, poderia por um lado até cumprir o papel da inspiração inserida na poesia de forma mais fidedigna possível, mas por outro lado traria implicações negativas no andamento da rotina como um todo.

Sendo assim, resolvi adotar a forma de "textos literários" e desde então, me propus a utilizar todo o tempo livre e acessível, especialmente nos deslocamentos diários, para dar o andamento necessário ao incessante estro que todo processo natural de construção literária possui, sendo que este não tinha uma previsibilidade de quando chegaria mas, por sua vez, contava com um tempo de validade muito curto. Por isso, o tempo entre a inspiração mental e a escrita do texto havia caído drasticamente e este passou a ser elaborado simultaneamente com as ideias advindas do processo de criação.   

Apresento a seguir, duas poesias que mesmo no turbilhão de uma nova e intensa rotina ainda conseguiram a sobrevivência para se transformarem em versos fortemente influenciados pelas aulas que frequentei naquele período, o que viria a se tornar tendência nos demais textos literários durante o semestre. Com vocês, Ode ao fico e Deus, a czarina e os homens.

Venho das terras g...

A dois rios, elite pedante

De casta tal, ideias profanas

Liberdade dissimulante

Posições e imposições levianas

Da c... delirante

À eles, fenece o espaço reservado

À ti, este relato abreviado

 

À meia-noite, a ode emana

Dos versos que eram tempestade

O fardo agora se declama

Nesses mares a temida saudade

Deste que ao destino reclama

Justiça, calma e serenidade

Ninfas e finados poetas não ousarão

A guiar este pobre cristão

 

Tal Vênus renascerá em comparação

De pronto, a ela não irei sacrificar

Nobreza, e piedade rogo que se guardarão

De ti e Álvares posso me libertar

Vossas lembranças não me compadecerão

Se as formas de Camões resplandecem no altar

De sua arquitetura, por obséquio para lograr

Esse sublime lusitano e eslavo cantar

 

À meia noite, o silencioso badalar

Responsável e insensível ao poema

Cinzento anoitecer, incompleto luar

Refletido pela metrópole e seu dilema

Esconde nosso guia, restante estudar

Oráculo em seu cândido sistema

Recalcule da musa tão perigosa previsão

Ilumine suas glórias para sábia decisão

 

Ó musa, se cristã és em nome e certidão

Cíntia fria com insensatez lhe moldou

“Eslávia” lhe despiu o coração

A mesma que temo, amém que te criou

Nossa alma presa em dominação

E o corpo tanto procrastinou

Se o destino assim permanecer

A carne deverá então padecer

 

Vil, tal Baco e o cálice vazio

Glórias e conquistas da musa a esconder

Não olhes, ó musa, o copo frio

Snegurochka tentará lhe convencer

Do distante e siberiano rio

Gélida voz a lhe seduzir

Curvado à alma, a isso irei acatar?

Ou pelo amor meu perturbador rebelar?

 

Ó musa, sua cândida alma e tez

Enxuguem o pranto desse hino

No esmeraldino olhar assim fez

O inocente nado do menino

Deste perdura sua timidez

Cordeiro de amor, imóvel refino

C..., em João Paulo, o clemente

Se inspire e eternize nosso luau poente



Giulio Romano - Os Deuses do Olimpo (1528)


domingo, 21 de junho de 2020

Musa brasileira de coração russo (2018)


Com honra e responsabilidade

Me dedico a elaborar esses versos

À musa com seus toques de feminilidade

Neles estou profundamente imerso

 

Dentro de sua aparência encantadora

Do olhar meigo e esmeraldino

Guarda a alma de uma talentosa doutora

E o coração russo de Portofino

 

No folclore russo ela ajuda a preservar

O patrimônio do gigante eurasiano

Tantas plateias ela esteve a encantar

Do brasileiro ao típico caucasiano

 

Mas a dama em nova missão se elevou

O amor pela pátria russa a definir

A cultura pelo qual se apaixonou

Para um nobre caminho seguir

 

Se à sociedade russa está a servir

Com a sabedoria e coragem do aprendizado

Sua admirável vocação deve seguir

O caminho para ela ficará iluminado

 

Que nas dificuldades ela possa crescer

E inspirar a próxima geração

Dos brasileiros com a paixão sem fenecer

Do espírito eslavo nossa admiração

 

A “daughterland” assim nos guiará

As noites brancas são o seu palor

Czarina tropical se proclamará

Com gestos e traços com tanto amor

 

Con te partiró... in cielo


Andrea Bocelli - Love in Portofino



Flor eslava (2018)


Admirar a esmeralda do seu olhar

Contemplar sua pose e sofisticação

É uma dádiva para inspirar

Esses versos com grande emoção

 

A Europa é digna de sua beleza

Do luxo de suas curvas e traços

Tão requintada tenho a clareza

De Minsk a Barcelona sigo seus passos

 

Em Paris, o cálice de sua sedução

A pose de uma dama encantadora

Harmonia com tons de erudição

Em pétalas de musa inspiradora

 

No seu jardim pose de delicadeza

Poesia com suas irmãs florzinhas

Seus fios ensolarados são a certeza

De que irão desabrochar juntinhas

 

Na Rússia, tão perto de Deus e do paraíso

Na catarse e tão pleno eu estava

Mas não tinha sentido seu feitiço

Era “vizinha”, mas com seu esplendor não sonhava

 

Que o Pai conceda a esse trovador

A honra de sua filha conhecer

Nastya, Vênus, Deusa do amor

Deixe que dessa doce fonte eu possa beber


Inspiração sequiosa e incerta (2018)


Os dias que passam para vê-la

São um fardo angustiante

Nas terças não posso perdê-la

Mesmo em minha mente relutante

 

A mente continua a caminhar

Com o exército vermelho marchando

Mas o coração luta para triunfar

A última chama queimando...

 

No fértil e ilusório solo brasileiro

Em meio ao milagre ela sobrevive

Brilha a estrela no esquecido cruzeiro

Em sua luz, iluminado se vive

 

Mas interrompo toda essa reflexão

Passa outra terça e ela não apareceu

Desse país foge a inspiração

Mas sei que a missão dela não feneceu


Simply Red - Your Eyes




O que se quer (2018)


A quem o poeta havia esquecido

Reapareceu para surpreender

Mas não me vejo arrependido

Dessa flor versos para colher

 

A quarta era repleta de tensão

A timidez havia se perpetuado

E eu apenas coletava inspiração

Os olhares de desejo haviam nos perturbado

 

Na quinta era a rara tranquilidade

Minha fala ela pode admirar

Confortável para a sociabilidade

Numa piada dois sorrisos para eternizar

 

Na sexta a triste melancolia

Ali a matéria havia acabado

Do nosso futuro nada se sabia

Insegurança e incerteza haviam nos dominado



O que se quer - Marisa Monte


A formação de uma dama (2018)


É uma alegria conseguir admirar

Na formatura, uma dama russa

Num sorriso sincero a se contemplar

Na pose feminina de uma musa

 

O branco celestial do vestido

Pode ser a paz ou a bandeira

De um país pelo poeta querido

Ela me adornando em sua leira

 

Na franja admirável feminilidade

Nas pernas sua intensa sedução

Nas curvas me perco em sua sensualidade

Seu semblante ganha o meu coração

 

Foto de sua primeira formação

A academia com louvor a prestigiava

Mal sabia da minha futura rendição

Do poeta brasileiro que a contemplava


A dama russa no casamento brasileiro (2018)

Caros leitores, a partir desse post e nos próximos cinco serão compartilhadas poesias que escrevi durante o ano de 2018, o qual considero como o melhor que vivi até os dias atuais. Os quatro primeiros poemas foram escritos durante o primeiro semestre e apenas os dois últimos no segundo e portanto, após a viagem que realizei para o Reino Unido e Rússia em junho daquele mesmo ano.

Infelizmente devido ao meu estado emocional no pós-viagem e principalmente devido à falta de palavras que pudessem descrever fielmente a catarse sentida durante aqueles 18 dias, não escrevi uma poesia especificamente que versasse sobre o episódio em si. Mas a falta deste, que por si só poderia se mostrar como uma estranha ironia, não se limitou a este resultado e sim me mobilizou por mais de um ano a escrever um livro de memórias sobre a trajetória pessoal que construí naquele período, a qual me sinto honrado e grato por ter vivido. 

Falarei mais adiante dessa obra literária, mas por enquanto faço essa breve descrição apenas para que se entenda o impacto que essa viagem teve não só em mim como pessoa, mas na minha vida literária e na mudança de método que adotei em minha literatura pessoal a partir de 2019.


Quando descubro que uma russa mora aqui

Meu coração se enche de explosão

Fogos comemoram aqui e ali

Em Minas, a dama recebida com emoção

 

Um país que conhecer a receptividade

Ajuda e acolhe a russa mais querida

Para os curiosos parece celebridade

Para o poeta uma musa reconhecida

 

Na foto do casamento pude observar

O quão linda e inspiradora

Era essa dama a se admirar

Na vida a cada dia mais vencedora

 

O lindo vestido dourado

Era sua elegância e sofisticação

A riqueza de um sorriso admirado

Do seu brasileiro coração

 

No sapato a sua sensualidade

Em suas curvas iria me perder

Nos traços da flor da idade

Rosas nos lábios e um olhar a me render


Jorge Vercillo - Avesso


domingo, 14 de junho de 2020

O céu é da Ninfa (2017)


Na primeira foto a primeira impressão

Percebia-se a enorme inspiração

Cada detalhe embalava o coração

Ressurgia a promessa da emoção

 

Daquela dama era a visão

De uma musa apaixonante

Seu charme puro com razão

Trouxe um encanto enleante

 

No cabelo o Sol que ilumina

O horizonte da poesia

O seu sorriso de menina

Conquistava quem a via

 

No azul do vestido a claridade

De um anjo que surgia

No sapato desfilava sensualidade

Conjunto de perfeita harmonia

 

V..., sua alma quero descobrir

E sei que você irá me raptar

Será natural o meu servir

Para sua nobreza de se admirar

 

Pinacoteca de São Paulo
















Fonte: ArchDaily

D... e a alma brasileira (2017)


Vejo essa russa de intensa alegria

Eterna voluntária da felicidade

No Rio seu coração mais forte batia

Sua alma estava naquela cidade

 

Serve ao esporte com paixão

Nos eventos presente para ajudar

Ama o Brasil com sua gratidão

Nossa receptividade irá guardar

 

É tão intenso o seu sorrir

Que os russos questionam

- Por qual país irá decidir?

Desconfiados sempre a pressionam

 

D..., mantenha essa felicidade!

De quem vê a vida maravilhosa

Que sua alma na flor da idade

Deixe sua presença sequiosa




Fonte decorada com a temática da Copa do Mundo no GUM - Moscou (14/06/2018)


Viva a diplomata russa (2017)


Que Deus abençoe essa menina especial

Sua competência a levará para a diplomacia

Com o seu saber intelectual

Qualquer impasse se resolveria

 

Nos idiomas seu notável saber

Na mente uma “Torre de Babel”

Carregada de estudo sem fenecer

Para clarear qualquer papel

 

Sua diplomacia apaziguará

Juntos, ocidente e oriente

Sua sabedoria nos iluminará

Para proteger nossa gente

 

Povos e etnias esperam suas decisões

As guerras esperar sua atuação para acabar

Nosso remédio serão suas ações

Para o bem de quem as apoiar

 

Com o mundo agora pacificado

A diplomata O... irá sentir

As palavras de um poeta admirado

Atento ao que irá lhe atingir




Teatro Bolshói - Moscou (14/06/2018)


Doce e ardente M... (2017)


No norte da Rússia mora a dama

Em Vyborg com erudição a estudar

É por ela que o coração clama

Cada vez mais a nos acalentar

 

A princesa também tem outra morada

São Petersburgo torna-se seu recanto

Lugar para uma jovem refinada

Para sua grandeza me levanto

 

Logo lá nos encontraremos com louvor

Às margens do Neva juntos a observar

Exalando o mais tenro e puro amor

Lugar onde a história iremos encontrar

 

No Hermitage sua alma se elevará

Com sua justiça irá nos reinar

Toda turbulência se encerrará

Sua doçura ardente irá nos guiar


Mobília da família imperial russa no Museu Hermitage - São Petersburgo (21/06/2018)



E... e sua alma russo-hispânica (2017)


Estou honrado em escrever a poesia

Que homenageia essa grande jornalista

Sua amizade me privilegia

Pois vejo nela uma aula de artista

 

O lado espanhol da sensualidade

Também está no seu “hablar”

Seu sorriso traz a realidade

Das cidades espanholas no seu caminhar

 

Mas ela também possui a dedicação russa

Sua força, competência e coragem

Fazem-na uma respeitada musa

Em sua beleza o melhor de cada paisagem

 

Espero viver a Copa do Mundo contigo

Vídeos e reportagens para ajudar

Como fã, admirador e amigo

Nossos sonhos iremos realizar



Estádio do Pacaembu - São Paulo 


Princesa Nutella (2017)


É uma rara dama moscovita

Com o sorriso doce de Nutella

Meu coração ela habita

Quero ser um guaxinim para ela

 

Ser abraçado e acariciado

Fazer de Moscou a torre de Babel

Pela nossa amizade ser admirado

Nos seus doces olhos de mel

 

Se a princesa se chama P...

E tem o nome da minha artista

Vejo que Deus abençoou a menina

Fazendo-a meiga e bem vista

 

Se Deus fez essa flor falar

Em Moscou o mesmo idioma que o mesmo

Significa que lá está a me esperar

Nesse paraíso a me fazer seu



Parque Gorky - Moscou (16/06/2018)