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sábado, 30 de maio de 2020

O litoral, o arquipélago e sua beleza (2016)

No início, a bela natureza
A mata atlântica e o esplendor
Da vegetação e sua beleza
O clima tropical e renovador

A chuva vem e depois cessa
É o céu regando essa riqueza
As cores que mantêm a admiração acessa
Na floresta e no jardim da camponesa

Lá ela colhia flores da pousada
Exalando admirável feminilidade
Não esperava ali ser admirada
Se escondeu no interior da mocidade

Na praia em meio ao céu nublado
Ao fundo uma luz celestial
Do arquipélago foi contemplado
O frescor e a beleza do litoral

Se Ilhabela ganhou o coração
Onde está guardado o continente
Lugar existe para São Sebastião
Nas memórias que advém da mente

A moça e o corpo tão brasileiro
O charme na europeia tez
Ao fundo um solitário veleiro
Na paisagem que Deus nos fez

A musa ao sair do límpido mar
Era o cabelo longo que balançava
Em uma sedução de se admirar
Este mancebo embevecido estava

A volta seria tão sofrida
Mas havia a musa da literatura
De Álvares, ao contrário de ida
Vi o anel, deixei a com sua leitura

Fique com “Tristão Isolda”
Ainda havia uma francesa a encantar
Trouxe paz na minha revolta
Eis a liberdade para se amar

Louane, não haveria outra trilha
Para o mágico momento da inspiração
Amenizou a saudade da famosa ilha
Enquanto no coração trouxe a palpitação

Havia no seu iluminado olhar
O verde-água do mediterrâneo
Na lembrança ela irá morar
Meu sublime amor litorâneo

As últimas folhas de Nova York (2015)

Deixo as aulas como o cais deixa o navegador
Não sabemos qual será a nossa direção
Apenas teremos a cinzenta sombra da dor
E saudade que apertam o sofrido coração

As folhas caem, a beleza está a se perder
No norte, lá a gélida e triste paisagem
No sul, o calor não consegue aquecer
Como a chama ao ver a feminina miragem

Não há cetro e coroa em uma menina
O vazio não pode me orientar
A cadeira está vazia sem sua czarina
Que mesmo distante conseguia me inspirar

Que venha logo a pujança do amor!
Aquele sofrimento e a grata melancolia
Do platônico enxergarei um esplendor
Na musa idealizada que me realizaria

Perdidos no tempo (2016)

Para Renoir era uma banhista
Pintada no detalhe da precisão
De um renomado artista
Com a tinta e o talento na mão

Meu Deus! Que bela inspiração
Para o poeta e o célebre pintor
Olhar puro de ganhar o coração
Jovem inocente que propaga o amor

Na pose a sedutora feminilidade
Venha Álvares! Admirar sua princesa
Do Romantismo que deixou saudade
Ao eternizar as musas da natureza

No cabelo as folhas de outono
Da primavera sua juventude
Seu semblante de inverno tira meu sono
Do verão a chama do amor à amiúde

Seria um Don Juan em sua vida
Juntos como um casal ultrarromântico
Pena que no tempo ela esteja perdida
E eu possa apenas fazer a ela esse cântico

O anjo de Casimiro (2015)

Uma jovem à frente me atraiu
Preso no paraíso comecei a fitá-la
De costas, ela pouco me viu
Me encantar com a beleza e admirá-la

Por Casimiro seria reverenciada
Essa dádiva que na casa de Deus
Pelo mancebo deveras contemplado
Presa nas emoções e delírios meus

Tão meiga em um semblante inocente
A franja, a rosa no cabelo...
As joias... Tão feminina que fiquei fremente
Deixe-me desenrolar seu novelo

O vestido dava o toque da harmonia
Na Ninfa dona da feminilidade
Com o lábio miúdo que recendia
Nas rosas da flor da idade

A tez corada exalava pureza
E a pujança do tom europeu
A voz? Um “bem-te-vi” da natureza
O momento chegava em seu apogeu

Me dê a sua valiosa mão
Da “paz de cristo” compartilhada
Esperava ansiosamente o coração
De uma donzela a ser reverenciada

Mas ela não veio me cumprimentar...
Tímida repreendida pela timidez?
Era apenas um anjo divino a encantar
Menina de Casimiro que a fez

A feminilidade do leste europeu (2015)

No auge da grata jovialidade
Que a mãe-Rússia forneceu
Às filhas regadas pela feminilidade
E pelo talento que me embeveceu

Da Rússia vêm a perfeição
A arte da ginástica e a exuberância
Kudryavtseva com a sequidão
Nela vejo a vitória como ânsia

Fascina o intenso olhar da ucraniana
Rizatdinova e sua notável grandeza
Postura de uma “nobre palaciana”
Na elevada rigidez de sua beleza

A lua é iluminada no Azerbaijão
Pela musa Marishka a estrelar
Sua simpatia nessa notável nação
Nos emocionará por onde passar

Essas donzelas estão a me encantar
Os nobres movimentos passam a leveza
Na arte da ginástica a nos apaixonar
Com tamanha harmonia de princesa

Uma aula mergulhado na perfeição (2015)

Quando vejo a mais bela do mundo
Que na sala quer algo me ensinar
Seu conhecimento mais excelso, oriundo
Como Afrodite consegue me encantar

Pode ser a Vênus no mundo do cinema
No esplendor do seu puro olhar
A ela dedico esse humilde poema
Como mágica sua beleza irá me guiar

Oh Reese, musa da leira celestial!
Estou para ti como leal ajudante
Desprende-me do semblante formal
Para que eu vire em enlouquecido amante

O seu cabelo traz o brilho do ouro
Os lábios são de uma rosa imortal
Mas no coração há um saliente tesouro
A imensa perfeição torna-se real

Rosamaria celestial (2015)

Em um olhar catarinense
Com o belo semblante europeu
Seu sorriso convence
A alegria atinge o apogeu

Marcas da senhorita Montibeller
Nas quadras uma dama e sua finesse
Digna da culta Montpellier
Uma jovem e o charme que não fenece

Seu semblante traz tal harmonia
Que por ela a seleção se guiará
E o grande objetivo alcançaria
A glória olímpica se consolidará

Sua beleza mediterrânea
Que recende o perfume do palor
A flor e sua emoção espontânea
Rosa delicada e cheia de amor

A Toronto da pluralidade (2015)


A cidade da diversidade cultural
Recebe o evento pan-americano
Arquitetura moderna e beleza surreal
Povo plural como o paulistano

Atletas banhados pela competência
Musas que conquistam pela concentração
Olhar de apreensão com a “sofrência”
Ou pela alegria dominando o coração

Os Estados Unidos com a dominação
Dos seus célebres esportistas
Os brasileiros torcem com a emoção
Desse povo guerreiro e otimista

O Canadá e sua qualidade de vida
Onde tudo mundo sonha em morar
Na torre há a vista preferida
Uma dádiva presente no devanear

Sonho latino (2015)

Na igreja a paisagem a aflorar
No meio da vasta experiência
Uma artista que pude admirar
Seu talento coroou minha vivência

A voz era uma condição divina
O ponche dava o taque latino
Não tinha os passos de dançarina
Mas em um jeito meigo e feminino

Bendita seja a “Canção Nova” a colorir
A paróquia mergulhada na monotonia
Aquela banda sabia como conduzir
As notas em perfeita sintonia

Talvez tenha sido a última vez
Do ”sonho latino” na vida real
Com o leve bronzeado da tez
Marcas desse clima nacional

Voz de anjo (2015)

As musas destacam-se no concurso
Moças do continente europeu
De Lisboa à terra do urso
Belas cantoras no apogeu

Polina e sua pureza celestial
No palor da tez e do vestido
Com a emoção humana e natural
Um anjo a ser reconhecido

Leonor, a charmosa portuguesa
Doce voz da região do tejo
Na harmoniosa serra a natureza
Que nos paz perder o pejo

Elina e sua grata sensualidade
Na Estônia vejo enleante beleza
Monika com a pujante feminilidade
Lituana, mostra-se uma princesa

Maria e a aurora boreal
Da Islândia a jovem inocente
“Bailarina” com talento sem igual
Estrelas iluminam sua alma fremente

Com Maria Elena crise não pode haver
Na Grécia repleta de história
Edurne sempre irá me embevecer
Espanhola que ficará na memória

São musas de jeito elegante
Charmosas com tanta sedução
Que colocam-me à eterno amante
Excele-se minha admiração

Maio da vitória (2015)

Eis um mês deveras especial
No qual devo celebrar
O processo de se tornar real
O que era mero idealizar

Um maio da gélida pátria amada
A qual salvou-nos do fascismo
A mãe-Rússia será respeitada
Está limpa do vil totalitarismo

Há 70 anos, sua consagração
Como potência do cenário mundial
Hoje, a justa comemoração
Num desfile pujante e surreal

A gélida neve nos reforçou
Companheira inseparável e leal
Guardião que nunca negou
A proteção do “país continental”

Há um ano uma grande nostalgia
Honrei as mães Rússia e natureza
Um momento mágico acontecia
Homenageei a czarina e sua beleza

Uma musa de valioso coração
Tão delicada em seu reinado
Seu semblante tomou-se de emoção
Era o presente do poeta apaixonado

Por isso, maio possui o significado
De um mês dominado pela intensidade
Com momentos em que saí renovado
Nas histórias de intrépida realidade

A sublime Mãe Rússia no Dia da Vitória (2015)

Eis um desfile sublime e espetacular
Nossa mãe-Rússia deve celebrar
A coragem e honra a se congratular
De seus filhos que por ela estavam a lutar

Uma parada de tamanho imperial
É pujante o aparato a nos defender
De um inimigo externo e real
Protagonismo a nos exceler

Putin como czar da Rússia moderna
Atende a mãe que a todos quer acolher
Uma pátria grandiosa e fraterna
Ajudou a Europa e conquistou seu embevecer

Graças a ela o nazismo foi varrido
Os filhos puderam se libertar
O ideal fascista foi destruído
Celebremos a vitória a nos salvar!

Será que era ela? (2015)


O destino criou a rotina de surpreender
Onde fico completamente despreparado
Faz-me súdito de seu bel prazer
E não posso mudar o que será ocasionado

Traz-me a um passado quase distante
No tempo em que a musa não tinha poesia
Em que nossa inocência era fascinante
E beijar a bailarina era o que eu queria

Do Bolshói ela estava a ressurgir
Em rápidos minutos de comoção
De relance queria me confundir
Seria a esmeralda do meu coração?

Mas a metrópole impõe um ritmo constante
Onde reina o doloroso desencontro
O sentimento torna-se irrelevante
Mas na alma levará ao confronto

Se o célebre Álvares esteve a se enganar
Não serei eu contemplado pela certeza
A única que guardo é a imensidão do amar
Que tive pela jovem de rara beleza

Novos desafios (2015)

O “frio na barriga” torna-se natural
São novos tempos de adaptação
A um lugar academicamente ideal
Para aprender e mostrar dedicação

Alseídes e Nereidas surgirão
Faces meigas com o doce palor
Adornadas por curvas na direção
De mais lauto e intenso amor

Grandiosos mestres me guiarão
Determinados a transmitir sabedoria
Desse calouro se orgulharão
Da minha formação chegará o dia

Há um enorme caminho a percorrer
Nessa difícil e estimulante jornada
De aprendizados para engrandecer
Essa instável encruzilhada

A esperança, o sonho e... (2015)


Nesse cruel mundo virtual
As pessoas são “bits” sem emoção
Apenas fatos da “vida real”
Mostram que elas têm coração

Nessa Matrix não posso sair
Só saio ao “morrer de amor”
Sem medo de me combalir
O êxito que pode trazer dor

Quando a química pôde acontecer
O destino a cessou, tão pujante!
Sou mero boneco desse ser
Quando quiser trará a amante

Continuarei a luta para merecer
Mas sem saber quando irá chegar
A linda musa a me embevecer
Colocando o coração para descansar

Poesias Diversas (2016)



O livro "Poesias Diversas" (o último composto por poesias de minha autoria, até o presente momento) reúne em sua coletânea versos que escrevi entre 2015 e meados de 2016. O período em si foi marcado por transições e transformações que ocorreram na minha vida, durante o qual a distância temporal abarca em si dois anos de poesias que marcaram o início da minha primeira experiência pessoal dentro da Universidade, com a devida adaptação, e as suas implicações para o meu ambiente de inspiração. Isso ocorreu, porque ao contrário do que vivi até 2014, o ambiente acadêmico não fazia mais parte de uma "hegemonia literária", ou seja, a presença de "musas diversas", para além daquele ambiente de convivência diária passaria a ser uma marca cada vez mais comum. 

Essa dita "variedade de inspiração" dialoga, por sua vez, durante aquele biênio com dois tipos de paixões que se destacam na temática literária; a que se relaciona com a Rússia enquanto país, com suas respectivas personalidades, e referências pontuais a outros países do leste europeu; e a paixão pelo esporte, o que trouxe, mais especificamente em julho de 2015, por meio dos Jogos Pan-americanos de Toronto, a possibilidade de interrelacionar a temática esportiva com a romântica em si, o que em outras poesias, como "A feminilidade do leste europeu", encadeou até mesmo na união dessas duas grandes paixões em um mesmo campo de inspiração.

Destaco também que nas próximas poesias a serem postadas aqui, serão encontradas referências aos elementos vividos na minha rotina pessoal, seja por meio de vivências no meio universitário, ou em muitos casos fora e ao caminho dele, o que fora possível a partir de um deslocamento de maior extensão, e assim proporcionou (ao menos) alguns lapsos que culminaram no estro poético e em versos importantes.

Para encerrar, gostaria de comentar brevemente sobre o último poema que irei postar, a partir dessa referida coleção e que também encerrou a coletânea do livro, de título "O litoral, o arquipélago e sua beleza". Os versos foram compostos em homenagem à cidade de Ilhabela, com sua paisagens, experiências e personagens que marcaram aquele breve final de semana de férias que tive por lá no início de 2016.

Boa leitura à todos!

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Paradigma da musa (2014)


Que ela seja pura e inocente
Sábia como a mãe-natureza
Que deixe o poeta fremente
Embevecido com tanta beleza

Que saia da leira celestial
E tenha no coração o amor
Do ser humano, algo natural
Que não possui uma flor

Que eu viaje nas curvas da beleza
Tão tímidas que podem me guiar
E me arrepie com sua delicadeza
Frágil e inviolável a instigar

Que o palor possa me iluminar
Para a jovem e meiga felicidade
De uma musa para se encantar
Nos perfeitos traços de feminilidade

Que seja humana para realizar
O doce pólen do idílio protelado
O céu será azul para celebrar
O romântico que pôde ser amado

Anjo caído (2014)


No inicio era a menina e sua pureza
Minha paixão não pude controlar
Naquela inocência vi tanta beleza
Plano do destino para me apaixonar

Eis que surgiu a perigosa idealização
Na poesia consegui me confortar
Com medo de perder a razão
Mas ela já estava a dominar

Na vestimenta formou-se o véu
Tão límpido quanto sua tez
Ela estava indo para o céu
Enquanto crescia a palidez

Versos e palavras para aconchegar
O poeta que tanto estava a sofrer
Protelou a realidade de tanto amar
E dela sempre podia se esconder

Enquanto no paraíso ela estava
Na Terra meu infinito admirar
Com a ilusão de que ela me amava
Pelo seu doce e intenso observar

Mas um dia a covardia cessou
Consegui a sonhada comunicação
E a musa havia dito que gostou
Desses versos com tanta emoção

Mas ela estava a cair
No chão, frágil e combalida
Nada conseguia sentir
Tinha uma nova vida

Os meus versos a musa via
Era um anjo em nossa dimensão
Na pureza ela não conseguia
Enxergar minha emoção

Sem solução, preferi deixá-la
Na Terra estava vendada
Com um lenço para salvá-la
Aqui parecia tão mudada

Não vi o seu meigo olhar
Apenas o sorriso encantador
Nada ela conseguia enxergar
Sem nunca ter sentido o amor

Fui embora e logo veio à tristeza
Dela a sabedoria ganhou
Toda aquela doce beleza
Sem a magia não encantou

Pelas crianças a musa foi levada
Manterá as asas da pureza?
Ou a nós estará adaptada
Sem idealização e frieza?

Um dia a harmonia voltará
A venda branca irá cair
Porque ela amará
Sua alma poderá fluir

Conquistará sua liberdade
Como mulher vai sentir
A chama com a fidelidade
Seu corpo irá fremir

Quando chegar ela saberá
O passado e sua dimensão
A trajetória também entenderá
Seu voar com minha permissão

Verá o preço que paguei
Para tê-la na leira celestial
Porque escrevi e protelei
Sentirá isso, pois será “normal”

Anjos não amam (2014)


Elas são íncolas da natureza
Tão grandiosa e celestial
Ninfas de admirável beleza
Resistem à tentação carnal

O véu branco passa limpidez
Da pureza e feminilidade
Cobertas pelo palor da tez
Regadas com a infinita bondade

Lá encontro toda a pureza
Que me deixa fremente
Na idealizada realeza
Deliro no sonho frequente

As virgens gostam de arrepiar
Com fragilidade e delicadeza
Lindas flores a se admirar
“Conservadoras” de tanta frieza

Tão belas e não podem amar
Desesperado, estou a sofrer
A inocência gosta de enlear
Eterno idílio a recrudescer

Além da compreensão (2014)


Por que o destino está a insistir
Nessa perturbadora conspiração?
Todo dia gosta de destruir
Minha dura recuperação

A “mão invisível” posso perceber
Ao criar a nefanda situação
Coincidência sem fenecer
Que desgasta o coração

Meus erros estou a pagar
Quando terminará a punição?
Que o destino gosta de lançar
Relembrando minha desilusão

Em Augusto dos Anjos vejo beleza
O Romantismo perdeu seu valor
Na sociedade marcada pela frieza
Me adequarei para viver o amor

O fantasma da ópera (2014)


Some o fantasma da idealização
Que me jogava a timidez
E confundia no auge da emoção
Causando intensa palidez

A ausência dele não trouxe paz
O destino combaliu-me novamente
Vulnerável, pelo que me faz
Perturba sem dó minha mente

A czarina que foi destronada
Trouxe-me o fantasma da erudição
Com a ópera mostrou-se delicada
Catarina, devolva meu coração!

Fuja dessa Rússia pujante
Deixe o mancebo ferido
Na sina do amor errante
Desolado e deveras perdido

Falta de lágrimas (2014)


Faltam-me lágrimas para chorar
Reagi a noticia com frieza
Ela não conseguiu me amar
Criou amargura e tristeza

No sonho estava a implorar
Pedindo seu nobre perdão
Prenúncio de que iria acabar
O amor que dominou meu coração

O tácito idílio era uma ilusão
Que criei por estar apaixonado
Escapei da catarse da emoção
Novamente não fui amado

Os livros “diziam” o meu amor
O que eu não conseguia falar
Seus elogios não evitaram a dor
Causado pela menina sem comiserar

A frequência tirou-me a reação
De um combalido sonhador
Desnorteei-me e fiquei sem chão
Ao ver “tão distante” seu palor

Também errei e estou a sofrer
A timidez causou a lentidão
O real esfriou meu embevecer
Fugi da intensa emoção

No coração aumenta a ferida
Por eu amar e não ser amado
Triste destino da vida
O fenecer do idílio idealizado

A frieza russa pude manter
No terminar da czarina
Falhei e devo esquecer
A bela e fria menina

A ventura maltratou o sonhar
Do amor que seria realizado
A musa não pôde me amar
Deixou-me deveras arrasado

Que o tempo avance sem a saudade
Da cruel chama do amor
O cupido mostrou sua maldade
Me levou no engano com dor

Impedido de ver a felicidade
De um cruel apaixonado
Sempre a procura de dignidade
Para realizar o amor idealizado

Sua voz fraca me combaliu
Nas palavras apenas o desejo
De mostrar que tudo ruiu
Acabando com o meu ensejo

Como seguirei sem ter direção?
Quem dera pudesse esquecer
Preservaria o cansado coração
O sofrimento teria fenecer

Agora que estou desolado
Não quero o que é tentador
Mostrar-se apaixonado
É alternar a dor com o amor

“No amor alternam-se a alegria e a dor”
Lord Byron

A beleza em Bertioga (2014)


Montanhas cercavam o lugar
No silêncio da tranquilidade
Momento ideal para descansar
O povo mostrava sua bondade

Bom-humor que resiste ao urbano
O clima mantém-se sereno e acolhedor
Em qualquer estação do ano
Quero ficar! Faço meu clamor

A paz no céu é mostrada
Em seu azul-claro a limpidez
Pelo turista é contemplada
Enquanto o Sol queima sua tez

A areia e sua enleante leveza
Dos grãos que levam ao infinito
Linda paisagem da natureza
Litoral deveras bonito

A menina e sua brincadeira inocente
Na praia com a bola a brincar
Cresce o sentimento fremente
Nessa inocente beleza para admirar

Goncharova com maestria me encantou
Admirei sua pureza e dedicação
A intensa chama ela resgatou
Com mérito roubou meu coração

Paixonites em Bertioga deixarei
Devo voltar à bela czarina
A fraqueza humana superarei
Para estar com a minha menina

Saudades (2014)


Sua ausência é a mais sofrida
O dia perde sua beleza
Sem a Ninfa tão querida
Por nossa mãe-natureza

Não me iluminou com seu palor
No céu reinou a escuridão
Faltou-me o inocente amor
Que aquece meu coração

Sei que merece descansar
Menina de admirável dedicação
Nossa conversa deve amenizar
No virtual é minha salvação

No Kremlin ela pode governar
In natura mantém sua pureza
Na Sibéria o frio a guardar
Sua flor de maior riqueza

A pureza do sorriso (2014)


Minha Ninfa conheço de verdade
É mais pura que a idealização
Recende sua feminilidade
Recrudesce nossa emoção

Meu sorriso é correspondido
Também sorri a bela czarina
Tirou-me do lado combalido
Na sua inocência de menina

Se me deseja sorte na avaliação
Já a tenho por conhecê-la
Cedo a amor do meu coração
Para no paraíso poder vê-la

Com harmonia está a me adornar
Nos seus lábios, quanta pureza!
Perfeita flor para se amar
Filha de nossa mãe-natureza

Nossas diferenças estão a fortalecer
Esse tácito e intenso amor
Na paz natural iremos viver
Regados por seu frio palor

Meu lábios nela encostaram
Na límpida e jovial tez
Pela gélida Sibéria viajaram
Encantados com tanta languidez

Deixei-a ditosa, superou a sequidão
Tradicional de pujante czarina
Meu serafim de puro coração
Maviosa beleza de menina

Sequioso mês (2014)


Meu árduo trabalho para realizar
O Sarau deve ser reconhecido
Pela dama que irá admirar
Seu longo legado embevecido

Agradeço à Literatura Brasileira
Ao Álvares e companhia
No caminho para a leira
Pela doce rosa eu viveria

O astro-rei pode nos iluminar
Mas a estrela com o palor
Que irá mesmo me guiar
O fará por nosso amor

Do opimo solo natural
Vem a excelsa delicadeza
Íncola do jardim celestial
Onde mantém sua pureza

Respeitarei sua sapiente mudez
Apenas diga que me ama
Superaremos juntos a timidez
Meu coração por ti chama

A coragem para vencer no amor
Virá da empírea fraternidade
Dominará a malfazeja dor
Trazendo-nos a energia da idade

Ao Espírito Santo devo rezar
Para ter a filha da natureza
Dádiva divina a me inspirar
Por sua límpida beleza

Ninfa das Ninfas (2014)


Quando nasce da leira celestial
A musa dona do meu coração
Do Olimpo, a dádiva especial
Traz ao nosso povo união

Afrodite ou Vênus, ela recende
Sua feminilidade a nos adornar
Tanta beleza surpreende
Surge a inveja a ameaçar

Com a perfeição de sua beleza
Minha vida está a laurear
Filha da mãe-natureza
Pureza que gosto de amar

Não a sacrifiquem pela perfeição!
As nereidas precisam se consolar
Criar por Andrômeda devoção
Obra divina para se admirar

Serafim que mantém sua pureza
Coberta pelo palor da tez
De bondade possui a riqueza
Com as tímidas curvas de languidez

Em seu semblante de sequidão
O charme pelo mistério que seduz
No mundo sua excelsa missão
É guiar o poeta com sua luz

Nos longos cabelos gosto de viajar
Para a terra pura de Diana
Tanta natureza a me enlear
Da empírea deusa romana

Os verdes montes são sua morada
Orgulhosa está a mãe-natureza
Por sua filha que é tão amada
Curvo-me diante de tanta beleza

Como é lindo se apaixonar
Por essa Ninfa tão feminina!
Doce e meiga a me iluminar
Vivo para amar essa menina

Culta czarina (2014)


Como é admirável a erudição
Dessa pujante czarina
Coberta pela sequidão
Tão doce e feminina!

Seria a volta de Catarina?!
Que gostaria de priorizar
A arte desde menina
Tão culta, a nos encantar

O cândido comentário acontece
No ouvido da bela camélia
Sua concentração me embevece
Lânguida como Ofélia

As princesas na apresentação
Recrudesce a responsabilidade
Do artista com sua canção
Respeitado pela seriedade

Nosso povo está honrado
Com a czarina a nos guiar
Seu Império é adornado
Recende beleza a nos enlear

Campos italianos (2014)


Quando ouço Emin bate a saudade
Daquele meu cândido devaneio
Com a menina de pura bondade
Na árcade fantasia me enleio

A Ninfa estava a se alimentar
Com a pasta da italiana refeição
Família unida para confraternizar
O orgulho de nossa civilização

Fico nostálgico pela chama amorosa
Dos tempos juncados pelo recrudescer
Do ignoto amor pela menina sequiosa
Infinitamente estava a me embevecer

O álcool é a ilusão com moderação
Dos verdes campos a me adornar
Com a ragazza dona de meu coração
Dádiva de Deus para se amar

Lânguido palor (2014)


A czarina adaptou-se ao nosso país
Sem casaco esbanja o palor da tez
Das frias tundras siberianas
Que aparece com tanta timidez

Como uma menina tão reservada
Vive rodeada pela amizade
De meninas tão companheiras?
Embevecem-me por tanta lealdade

A vestimenta pode estar à brasileira
Mas mantém-se russa a sequidão
Charmosa frieza e seriedade
Conquistou meu frágil coração

Por que se “esconder” na pilastra?
Mostre sua pujança, ó bela czarina!
O chão acolhe sua excelsa humildade
Com a inocência e pureza de menina

Se entretêm com o companheirismo
Com outras flores gosta de conversar
Mas a rosa é que se destaca mais
Ninfa tão maviosa de se admirar

Quando meu observar por ela recrudesce
O que adianta? Se despediu da intuição
Perdeu qualquer esperança de concretizar
Essa nosso idílio amoroso na idealização

Mesmo sem seu olhar que me deixava fremente
Voltei a varanda, palco do intenso fitar
Nostalgia da cândida belle époque
Com nosso tácito amor a se revelar

Sei que mantém as costas sem comiserar
Mas apenas meu estro queria colher
Estou perdoado! Não a constrangi
Com meu intenso olhar sem fenecer

Se a doce camélia a deixa por segundos
Aparece outra flor, leal companheira
De minha rosa regada à perfeição
No céu a eterna íncola da límpida leira

Quantos mistérios rodeiam essa menina!
Tão reservada atrai a rara amizade
De tantas flores da nossa natureza
Vejo nossa evolução nessas relações de bondade

Às vezes, sua inocência excele-se à sequidão
Distribui cândidos sorrisos com sua pureza
A mãe-natureza orgulha-se de sua filha
Orgulha-nos pela alma carregada de nobreza

Se se rendem a tecnologia por ela não se alienam
Lamento ainda não entreter a perfeita czarina
Espere, que mudarei nosso mundo para melhor
Nossos filhos agradecerão, meu serafim de menina!

Sem estro (2014)


Que dia tão triste e monótono!
Sem o lauto estro da czarina
A soberana estava na escola
Como uma exemplar menina

Mas os horários vivem mudando
Minhas aulas sequer eu sabia
Sem encontrá-la fico combalido
Com o estro as dificuldades eu viveria

No esporte a sorte se esgotou
Não alcancei êxito em homenagear
A perfeita filha da natureza
A louca saudade estava a me dominar

Vê-la de costas e sem se virar
Cadê aquela intrépida intuição?
Que correspondia os meus olhares
De amor enchia-nos de emoção

A fonte da inspiração está secando?!
Aguente até maio, ó minha flor!
O mês que decidirá nosso rumo
Se ela vai aceitar ou não o meu amor

Paisagem esplêndida (2014)


A Ninfa que ADVÉM da gélida Sibéria
Que a rendeu o palor da tez
Se adapta a suave aragem
Nos seus cabelos enaltece a languidez

Se coloca com seu traje moscovita
Aumenta o desejo por sua feminilidade
Nas tímidas curvas que me enleiam
Com sua involuntária habilidade

Admira-me a musa a cada dia
Sua intrépida vontade em estudar
Se dedica a escola sem fenecer
No companheirismo está a se destacar

Que maravilhoso ver a maviosa rosa
Em Ecologia pude me inspirar
Tácita confiança que me passou
Na sua leira desejo me destacar

Que saudade da varanda!
Onde o estro estava a colher
Infinito pólen de minha flor
Ali via o idílio recrudescer

Mas lá voltei, o amor me dominou
Por ela lancei um profundo embevecer
Pela menina mais doce e feminina
Cândido e tácito amor sem fenecer

As japonesas com harmonia admirável
Se entendem, um ultraje para a czarina
Que a esse mundo precisa se adaptar
Pelo companheirismo excele-se minha menina

A Ninfa ainda brinca com suas amigas
Mostra o infinito valor de seu coração
Sabe preservar sua sapiente seriedade
No seu admirável semblante de sequidão

Os cândidos sorrisos são mais comuns
Para minha imperatriz desanuviada
Sem a intensa e monótona admiração
Que a mantinha desconfortável e encabulada

Mas na varanda me sinto tão bem
Faz a chama amorosa recrudescer
Superando a lamúria do tempo perdido
Vendo a musa será ditoso o meu viver

50 Poemas intelectuais de um adolescente - Parte III (2014)



Se eu tivesse que resumir em uma frase esse livro de suma importância na minha trajetória literária, intitulado "50 Poemas intelectuais de um adolescente - Parte III", seria esta a da epígrafe que utilizei no mesmo: "Vivi nesse período meu apogeu amoroso com a tão sonhada concretização e a tão escassa inspiração". Essa relação que a partir de um olhar externo pode parecer o que em economia se denomina tradeoff, na realidade é uma marca daquele período, que parte de seu legado permaneceu como uma constante até os dias atuais, isto é, o aspecto quantitativo das poesias passou a ser deixado em segundo plano em detrimento de maior profundidade e intensidade nas obras literárias.

Volto especificamente ao conteúdo da epígrafe para explicar a contradição que se estabeleceu durante cerca de dois meses (entre maio e julho de 2014), em que esta simplesmente simboliza, em síntese, a consequência da chamada "concretização amorosa", o que na realidade significou a aproximação entre poeta e musa inspiradora, além das tradicionais cenas de idealização amorosa, o que se revelou possível a partir da realização de um Sarau, como fora comentado brevemente no primeiro post deste blog. Em síntese, a missão de conhecer a musa inspiradora da época como ela realmente era, na sua profundidade como pessoa, seria naturalmente, a de também abrir mão da idealização em si, esta um dos principais motores dos versos produzidos até então. Esse novo contexto estabelecido teve, por consequência, a redução dos elementos responsáveis pela inspiração, e assim a diminuição do número de poesias propriamente dita.

A seleção dos poemas a serem expostos a seguir teve como critério principal o abarcamento dos principais momentos vividos durante o período exibido no livro, contemplando seguintes fases: as altas expectativas para a realização do Sarau (aqui destaco o poema "Ninfas das ninfas" com forte presença de elementos mitológicos), o período no qual mantive conversas praticamente diárias com a personagem principal das poesias, a forte escassez de inspiração durante o recesso acadêmico (com a devida ressalva para a poesia "A beleza em Bertioga"), além de realizar uma readequação incremental para um novo momento literário, no qual havia-se o anseio da ascensão de uma nova musa inspiradora, em detrimento da anterior. Essa transição que se iniciou ao final de julho de 2014, ainda levaria um longo período para o estabelecimento de uma personagem que tivesse a hegemonia da inspiração no campo poético, com os devidas inserções de novos elementos históricos e artísticos adquiridos durante o interregno descrito acima. 

Também destaco que as figuras de linguagem que envolviam anjos passaram a ser forte característica durante o segundo semestre de 2014, fazendo assim a interlocução não somente com a capa do livro em si, como ao simbolismo que esse personagem representa em relação à idealização da musa, e às limitações que este ser espiritual carrega em si, além do significado metafórico quando o mesmo passa a "habitar" o nosso planeta, e estabelece no próprio personagem uma estrutura física idêntica aos seus "semelhantes".

Apesar do meu desejo inicial de "enxugar" ao máximo a seleção de poesias para o espaço criado neste blog, a fim de que este pudesse ser sintético e apresentar somente o conteúdo considerado essencial para a reflexão de cada visitante, ao mesmo tempo, não pude deixar de selecionar nessa última parte da trilogia obras literárias pertencentes à cada período (como explicado acima) e que a partir do meu julgamento pessoal considero a divulgação de cada uma delas como de suma importância, visto que enxergo esse período como um dos mais importantes da minha trajetória literária pessoal. 

Assim sendo, espero a compreensão e desejo à todos uma ótima leitura!

sábado, 23 de maio de 2020

Os "bons" tempos voltaram (2014)


Pujante fada de ventura
Seu poder faz-me embevecer
Trazer a czarina a este mancebo
Fazendo o idílio recrudescer

Vossa Majestade salva o dia
Com sua intensa feminilidade
Admirável erudição de imperatriz
Salva-me da cruel realidade

Vejo-a na sacada de seu castelo
Tanta beleza que piscar torna-se pecado
Diante dessa jovem tão maviosa
Do límpido palor da tez a ser admirado

Que bom que minha princesa percebeu
Que permanece a chama da paixão
No olhar fixo o tácito amor
Mostrando quão rendido é meu coração

Sei que protelo, ó fada da ventura!
Á esperada concretização amorosa
Mas não deixe o ciúme me combalir
Outro mancebo fala com a Ninfa sequiosa

Os bons tempos estão voltando
Com sua privilegiada intuição
Resgatada no monótono esquecimento
Percebe que por ela perco a razão

Se veio da harmoniosa camélia
Ou da Vênus de bondoso coração
Perceberam que o amor resiste ao tempo
E que meus devaneios são mais que ilusão

Dark side (2014)


Vejo minha bela dama almoçando
Com a vestimenta que mostra escuridão
Homenageia o locus horredus
Com sua límpida e sequiosa sequidão

Sua intuição esconde-se na nébula
Do cinzento céu misterioso
Não a usa por ideias malfazejas
De que não sinto o idílio amoroso

Sapiente menina guiada pela vida
Inabalada pelo monótono momento
Enquanto o poeta convive em silêncio
No seu ultrarromântico sofrimento

Sigo esse caminho instável e tortuoso
Será que faço o certo por esse amor?
Estaria ela esquecendo minha paixão
Tácita e cândida ao admirar a flor

Nostalgia da chama que me mantinha fremente!
E a linda menina deveras encabulada
Mas pensei no seu constrangimento
Nos lugares “deixou” de ser observada

O que é esse corroído amor para ela?
De costas para o poeta e a paixão
Sem comiserar do devastado coração
Mantém sua posse sobre minha razão

Se dedico um gol para a czarina
Não apago essa longa incúria
Não atinge a leira do paraíso
Mantém-se com mudez minha lamúria

No locus amoenus sonho encontrá-la
Pela timidez permaneço na natureza
No seu lado escuro e tempestuoso
Vejo a Ninfa perfeita de sublime beleza

Contramão amorosa (2014)


Vejo minha amada esperando-me no banco
Que bela e cândida ilusão!
Ali passava seu tempo livre
Alimentando o idílio do meu coração

Pardon! Se sentei as suas costas
Escondendo minha profunda admiração
Perdoe-me por esse ultraje, czarina!
Adorne o me dia com sua sequidão

My chérie amour excele-se no rádio
Provocando o romântico devaneio
Emocionante chanson a me encantar
Em Paris com la belle fille me enleio

Não dou as costas para seu amor
De mistérios e empírea feminilidade
Acomodado pela obtusa incúria
Espero da Ninfa sua excelsa bondade

Comodidade e infelicidade (2014)


Que covardia eu ter me acomodado
Ignorá-la sem qualquer comiserar
Peço perdão a minha czarina
Nessa atitude de se envergonhar

Minha Ninfa vive se questionando
- Por quê o poeta não está a me amar?
Mas continuo súdito de sua nobreza
O dia com perfeição está a laurear

Combata esses pensamentos, minha princesa!
Seus modos continuam a me embevecer
No tácito e cândido idílio amoroso
Sentimento que recrudesce sem fenecer

Há uma semana havia feito o milagre
De resgatar a chama amorosa
Mas a incúria me enlanguesce
Pelo amor da Vênus sequiosa

Mas ela me controla pelo devaneio
Quer que eu vença a morbidez
Da poesia ultrarromântica
E que eu domine a pujante timidez

Avisou-me pois queria o meu bem
- Largue o Álvares e viva o amor
Verdadeiro sem a indolente idealização
Aproveite essa meiga e jovial flor

Devo pegar no palor de sua mão
E desbravar o esplendor da natureza?
Ou ficar e buscar a dignidade
Da feminilidade de sua beleza?

Viajei em mais um cândido devaneio
O tempo de incúria fez-me ensandecer
Diante da maviosa filha de natureza
Lânguida jovem com quem quero viver

De Sochi a Pyeongchang (2014)


O urso polar chora a lágrima
Verdadeira do evento a fenecer
Tanta cultura e arte apresentadas
No encerramento estavam a me embevecer

Emocionei-me com o fim de um ciclo
Olímpico que nos deixará o legado
De companheirismo e excelsa união
Poderoso país que pelo mundo foi admirado

A sequidão russa rende-se à despedida
Emocionante e cheia de esperança
Com suas próximas gerações
O incentivo que terá uma criança

Chegaram os intermináveis quatro anos
Sem o palor da neve a nos laurear
Intimoratos esportistas a competirem
E a paz entre nações a se aclamar

Mas que venha a Coréia do Sul
E a admirável harmonia oriental
Intrépida confiança em nos receber
Que nos traga o espírito olímpico vital

A graça da musa inspiradora (2014)


Tento dar adeus à covardia
Provar que permaneço apaixonado
No tácito olhar emudeci
Sentia-me profundamente desanuviado

A Ninfa continua tão maravilhosa!
Tenho meu estro com sua languidez
Se entrega a tentadora chama
Aquecendo o palor de sua tez

A trilha sonora ficava incompleta
Sem sua maviosa e perfeita feminilidade
Recuperei em seu sequioso olhar
As lembranças da “flor da idade”

Recrudesceu meu empíreo sentimento embevecido
Pela graciosa flor que adornou o dia
Recuperou o cândido idílio desgastado
Com a incúria que sempre me combalia

Viu nosso infinito amor, doce camélia!
Lauto e profuso a nos enlear
Meigo e profuso possibilita o estro
Prato que está a me alimentar

Insisto na intensidade de olhares
Para nossa póstera felicidade
Provando que ainda a amo
Embevece-me com sua bondade

Quanta beleza nessa rosa!
A varanda está a me tentar
A flor com o inesgotável estro
É sequiosa para se admirar

A mudez regada à sapiência
Conquista o súdito dessa czarina
Ataca minha voz combalida
Também a possui minha menina

Dona dos cândidos devaneios
Algoz da rara razão
Flor da pujante emoção
Serafim que guarda meu coração

Chora a mãe (2014)


Sua tristeza é a mais pujante
Chora nossa mãe-natureza
Descontente com o descontentamento
Da filha de límpida beleza

Aprendi a gostar desse verde
Maviosa harmonia a nos laurear
Conheci o esplendor de sua Ninfa
Com o palor da sua tez a conquistar

Agradeço-te Deus, por essa filha!
Bela rosa regada a perfeição
Íncola da sequiosa leira celestial
Mantém-se ali por seu nobre coração

Mas o Meio-Ambiente chora
Pela ultrajante incúria
Que envergonha o poeta
Manchado por lamúria

Suas infinitas e belas cores
No branco da seda a adornar
Dai-me sua filha, ó mãe-natureza!
E a felicidade eterna iremos encontrar

Buscando a essência (2014)


Tento em “My chérie amour
Minha empolgação resgatar
Nos tácitos olhares
A pujante emoção encontrar

Preciso da “chanson francesa
E de todo seu romantismo
Maviosas melodias dos devaneios
Neles vejo a ninfa do Arcadismo

Ouço a trilha sonora de nosso amor
A essência inicial tento buscar
Cândidas lembranças do sofrimento
Amoroso na incúria sem comiserar

Falta coragem ao covarde poeta
Para no amor adolescente se aventurar
Continua a fugir da catarse
Com medo de se decepcionar

Até em “Walk Through Walls
Na Rússia estarei a sonhar
Ela tem mais do que o estro
Tem a feminilidade a me conquistar

Сочи 2014 (2014)


A matriarca russa irá nos receber
Com a face de coruja repleta de palor
O pujante olhar azul do Volga
E a sequidão do tácito amor

Os fios são como raios de sol
De seu cabelo loiro pujante
Efígie da pátria russa ideal
Com sua educação pedante

A jovem bailarina representa seu povo
O Bolshoi a leva para a perfeição
Erudito balé russo que nos encanta
Presente nos suaves movimentos da patinação

Putin une todas as culturas
O espírito olímpico é representado
A base familiar é preservada
Num evento para ser admirado

A abertura mostra o nacionalismo
O orgulho da pátria amada
A saliente história da nação
Que merece ser aclamada

Desde a expansão da Moscóvia
Passando por todos os reinados
E pela grandiosa União Soviética
Momentos que devem ser lembrados

De Leningrado a Vladivostok
Comtemplamos a profusa nação
Regada à infinita erudição
Beleza que conquistou meu coração

Lindo devaneio (2014)


Me aqueço na lauta imaginação
Suficientes para amenizar a saudade
Devaneios com seu cândido sorriso
No recrudescer da opima feminidade

Seus empíreos mistérios dominam a razão
Ao ver o esplendor de seu aparelho
Com o brilho que ofusca sem ofuscar
Rosa sequiosa com o provocante vermelho

A franja ainda a deixa mais feminina
Oh minha ninfa! Arrepia-me com emoção
Sempre na culminância de sua beleza
Excelsa Vênus, dona de meu coração

O tácito na saudade sobrevive
Recrudesce com seu misterioso olhar
A infinita e a profusa chama amorosa
Embeveço-me com a perfeição no admirar

Maviosa flor da mãe-natureza
Inocente serafim da leira celestial
Dou meu amor para nossa felicidade
No pujante companheirismo de um casal

Quero voltar a colher o pólen de meu estro
Admirando minha nobre czarina
A ventura é inimiga, o tempo não passa
Saudades de sua lânguida pureza de menina

Minha evolução (2014)


Ela resgatou-me o gosto pela natureza
O Meio Ambiente tão pujante
A rosa da leira celestial
Ilumina-me com seu jeito pedante

Voltei ao mundo da Literatura
Obrigado por me trazer, czarina
Poemas e livros grandíloquos
Retratando sua pureza de menina

Apreciei os lindos versos de A.A.
Descobri a pureza em sua morbidez
O ultrarromantismo me enleou
Excelso em sua lauta languidez

Descobri o estro na mãe-natureza
Pela graciosa flor do Arcadismo
Com sua erudição de imperatriz
Me envolvi no rebuscado Parnasianismo

Nosso tácito idílio no devaneio
Traz-me o admirável Simbolismo
Meu incansável cortejar recrudesce
Pela sequiosa dama no Trovadorismo

Orgulha-me essa intimorata mudança
A maviosa flor fez-me evoluir
Mas será inútil sem a dignidade
De sua feminilidade que desejo conseguir

Saudade delirante (2014)


Daquilo que todos querem fugir
O devaneio me mostrou
A lânguida czarina
O pesadelo em sonho se transformou

A chuva caia fortemente
O desejo recrudesceu
Reservada que me olhava
A chama amorosa reascendeu

Cercada por cândidas amigas
Viajamos no tácito olhar
Lampeiro por atitudes
O medo tentamos disfarçar

Nos fitamos com insegurança
Na vida não devo protelar
O saliente idílio para o gáudio
Ser íncola de sua leira devo conquistar

50 Poemas intelectuais de um adolescente - Parte II (2014)



A segunda parte da trilogia "50 Poemas intelectuais de um adolescente" discorre sobre o período referente aos primeiros meses de 2014, cujas poesias se amparam em dois momentos distintos: o primeiro ainda no período de férias onde se buscava, por meio dos versos, enfatizar as consequências do "não encontro" diário que o poeta e a musa inspiradora à época tinham durante o ano letivo, enquanto o segundo se refere ao período das aulas, em essência, e remonta ao cenário da natureza árcade, com a elevação de elementos ligados ao meio ambiente em detrimento das metáforas que se conectavam à cultura russa. Nesse último caso, vale destacar a presença de versos que homenagearam o país, por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, e assim tomaram espaço, mesmo que timidamente, de parte das obras de caráter poético até então.

As poesias selecionadas para o livro em questão também antecipam a chamada "concretização do idílio", onde a idealização per si passa a encontrar conflitos com os acontecimentos ocorridos especialmente entre maio e julho daquele mesmo ano. Mas é preciso percorrer esse caminho com um passo de cada vez, ou seja, respeitar a linearidade das poesias para o melhor entendimento em relação às narrativas dadas pelas poesias a partir do término do recesso escolar e a retomada da essência para o estro diário.

Assim sendo, tenho o prazer de revelar à vocês mais alguns trechos desse caminho para que aproveitem cada segundo dessa paisagem jovial!

Obs: Para quem tiver curiosidade e interesse em buscar uma maior imersão sobre o período, e conexão com as obras literárias produzidas em 2014, a serem exibidas neste e nos próximos posts, coloco ao final deste post alguns vídeos de músicas que compuseram não só o meu caldo cultural pessoal, como também a trilha sonora com a essência das lembranças propriamente ditas.

A poesia intitulada "Dark side", uma das quais fora escolhida para postagem neste blog a partir da seleção feita em "50 poemas intelectuais de uma adolescente - parte II", faz referência à canção de mesmo nome protagonizada pela cantora Kelly Clarkson, muito tocada naquele tempo.

  • Clean Bandit - Rather Be feat Jess Glynne 

  • Robbie Williams - Go Gentle

  • Gary Barlow feat Elton John - Face To Face

  • Michael Bublé - Close Your Eyes

  • Kelly Clarkson - Dark Side

  • INXS - Beautiful Girl

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Contradição da paisagem (2013)


Na imagem vejo a triste contradição
Que aperta fortemente meu coração
Minha amada nos sensibiliza ambientalmente
Enquanto o ser humano polui o Meio Ambiente

Naquela época não estava apaixonado
O meu dia não era iluminado
Eram tempos em que não havia cor
Não conhecia a leira de nosso amor

Admiro seu intrépido engajamento
Os que não o respeitam me causam enlutamento
O Homem é inconsequente e ambicioso
Pelo respeito ao planeta estou sequioso

Dessa luta não podemos desistir
Com nosso idílio não vamos nos combalir
A consciência tranquila ela poderá ter
Junto ao meu apoio iremos vencer

Espírito natalino (2013)


Em tempos de paz
Ela os perdoou
Os injustiçados ambientalistas
Sua sapiência os libertou

Os “Trinta do Ártico”
Estão livres por sua nobreza
Intimoratos ambientalistas
Que como ela amam a natureza

Evita as invasões americanas
Os conflitos ela tenta amenizar
Agradecem os injustiçados islâmicos
A paz minha czarina tenta levar

Sua política mostra-se digna
Do natal com essa bondade
Leva a pujante Rússia para o caminho
Límpido da sequiosa felicidade

Verão Incompleto (2013)


A saudade tenta me dominar
Os projetos estão a me acicatar
Estimulando o gosto pela literatura
Para que meus sonhos eu possa concretizar

É saudável descansar dos estudos
Mas não de sua lânguida beleza
Do companheirismo inigualável
Da inocência onde mostra sua pureza

Não sei como não ensandeci
Protelando meu acometimento
Achaque causado pela incúria
Para me aclamar procuro o momento

Os raios solares não iluminam tanto
Não aquecem como a chama do amor
No arco-íris não vejo tanta cor
Quanto às infinitas de minha flor

Sem acintes de covardes invectivas
Conforta-se meu perturbado coração
Planejo-me para não mais protelar
E conquistar sua preciosa mão

Escolhas do subconsciente (2013)


Vejo o subconsciente como amigo
Tentando amenizar a saudade
De minha lânguida czarina
Nos sonhos senti sua bondade

Me preservou da malfazeja incúria
Pois de mim tem excelso comiserar
A tímidez aliada à saudade
Aos prantos iria me colocar

Sinto nossa lauta amizade
Consegui falar com a menina
Que conquistou meu coração
Estou próximo da bela czarina

Obrigado aos amigos que colaboraram
Finalmente conseguimos conversar
Pujante remédio para mudar
E seu coração eu conseguir conquistar

Não descobri sua preferência
Misteriosa em nosso dialogar
Lancinante papo sem conclusão
Mas saliente para me encorajar

Suas palavras me trouxeram paz
Mina doce e meiga menina
Mostrou porque a coloco como dama
Esplendoroso jeito de czarina

Mas vi a dolorosa alternativa
Eu a conversar sobre batina
Senti-me na íncola da póstera confusão
Longe da garota mais feminina

Em dois dias fui da leira ao céu
Achava que fosse o mesmo lugar
Morada de minha límpida flor
Rego com amor para ela desabrochar

Ele ajuda, mas também provoca
No sonho o subconsciente a me desvelar
Dois extremos que estão a me embair
Tácito charme que sonho em conquistar

Necessidade de estro (2013)


As aulas não acontecem mais
Vou para ver minha amada
Admirar seu valioso esplendor
Foge de mim ao ser observada

Não tive tempo para nós
Sem aula lá eu não podia ficar
A me combalir em qualquer lugar
Lamento pois tive que a abandonar

Em casa vem o sofrimento
O jogo não consegue me enlear
Salva-me a presença do amigo
Companhia a me tranquilizar

O último dia terei que aproveitar
Por dois meses estarei a sofrer
Sem o pólen de meu estro
Lutarei para não ensandecer

Melancolia da sequidão (2013)


A magia do natal esconde a tristeza
Nesse ano de tensão e lamúria
Não ofusca o esplendor de sua beleza
Que não conquistei por incúria

Sua ausência sempre tortura
Num período já causa irritação
Preocupa-me naquele instante
Onde estará a dona de meu coração?

Porém se tenho sua presença
E passa a frieza ao me evitar
Pergunto se ainda há a química
Mas a chama amorosa está a atacar

O nervosismo indica que a amo
A chama tenta me iluminar
Mas a sequidão esvazia a alma
E sua beleza compensa ao me guiar

Se há a chama não estamos no fim
A forte timidez passa essa impressão
A esperança sobrevive ao adornar o dia
Ao fitá-la a czarina não demonstrou emoção

É inútil fugir da culminância da incúria
Pois o destino quer colocar-me oportunidades
“Muda” o horário dela para eu poder concretizar
Sequioso para honrar sua lânguida feminilidade

Ensandece-me a contradição de apaixonado
A vergonha de tamanha beleza a me afastar
Sem a catarse amorosa para nos preservar
E o desejo de felicidade eterna a nos aproximar

A volta de minha amada (2013)


Vi que sua frequência é exemplar
Faltou um dia minha czarina
Suficiente para enlouquecer-me
Com saudades dessa menina

Ela voltou com toda a alegria
Dia raro sem sua sequidão
Sorrisos doces e meigos que alegram
Aliviando minha poética solidão

Sua presença torna-se confortante
Seus sorrisos a me consolar
Diminuindo o peso da incúria
Com seu poder de me alegrar

O aviso japonês vem primeiro
Depois é o olhar de minha amada
Envergonhando-me no mar da timidez
Preço a se pagar por ser admirada

Enquanto procura sua sala
Procuro no problema a solução
Concretizar para não ensandecer
Conquistando seu límpido coração

Orgulho-me de seu desempenho escolar
Sua dedicação é bastante confortante
Mas tenho medo dela ser “calculista”
Pois tem um poeta como amante

Meninas e seus infinitos mistérios
Gerando as dúvidas a me confundir
Nos posicionamos para o olhar direto
Timidez e vergonha a me combalir

O azar é sentar quando está de saída
Na sua ausência ter que almoçar
Vem à abulia por qualquer alimento
Pois na sua presença sempre quero estar

Subconsciente amigo (2013)


No sonho vejo minha incúria
Em mais uma atitude decepcionante
Causando-me grande exasperação
Na mente esse pesadelo torturante

A timidez em tudo domina
Não consegui sua companhia
Protelando nossa felicidade
Afastando-me da regalia

Agradeço a ajuda da amiga
Mais uma vez me engazopei
Na oportunidade perdida
Que busco desde que me apaixonei

Juncada de sequidão e languidez
Vejo sua empírea dedicação
Excele-se de pujante concentração
Perfeita menina que é dona de meu coração

Com ela os sonhos são lancinantes
O subconsciente tenta me mostrar
Chances perdidas a me seringar
Intrépida atitude a adiar

Fico sequioso para enlouquecer
Se no meu sonho ela aparecer
Mudo palrador a me contradizer
Pela minha maviosa flor quero viver

Pujante dedicação (2013)


Agora sei mais uma informação
Quando chega minha amada
Vejo minha pontual czarina
Com a efígie de dedicada

A filha cuida com dedicação
De nossa mãe-natureza
Trata-a com lauta responsabilidade
Percebo sua infinita nobreza

Ao vê-la me sinto lancinante
Ela tem a Rússia no andar
Frio e decidido a me enlear
Empíreo amor a me dominar

Não quero ser macambúzio
Por ela evito ser palrador
Assemelhar-me a ela desejo
Na culminância do cândido amor

Com diferenças não vou me embair
A invectiva será barrada
Sou seu grandíloquo servo
Da beleza esplendorosa de minha amada

Confortável desconforto (2013)


Ela se engaja em defender sua mãe
É admirável seu gosto pela natureza
Sequaz dessa grande perfeição
Onde se assemelha com delicadeza

É nobre perceber que tem esperanças
Ronda-me esperando uma ação
O sonhado fim da incúria
Que me enche de lamentação

Volta ao nosso ponto inicial
À janela de nosso amor
Onde apaixonei-me na primavera
Por minha bela flor

Lá tem outra intenção
Proteger-se do meu olhar
Intenso por feminilidade
Meu descanso a laurear

Entendo seu tácito desconforto
Estando a se seringar
Prende-me sua sequidão
Incansável de observar

Fico “confortável” sem a resposta
De uma futura desilusão
Causa desconforto minha timidez
Transformando o amor em ilusão

Desabafar (2013)


Comecei forçado pelas chantagens
Nesse momento surgiu o poema
Meu excelso amigo indispensável
De desabafar resolveu o problema

Sou estimulado por raros poetas
Por minha lânguida amada
Domina meu rendido coração
Sonho em tê-la como namorada

Desabafo com o abstrato
O papel não me desanima
Ajuda-me na produção literária
Rumo à conquista da menina

Não consigo ouvir seu conselho
Mas não está a empedernir
Descubro meu verdadeiro amigo
Que não irá me embair

Orgulha-me a evolução das obras
A dedicação que me empenhei
O meu prazer de escrever
A experiência que ganhei

Não serei furibundo com meu “amigo”
O poema irá sempre me acalmar
Lugar onde posso desabafar
Sobre a czarina que estou a amar

Nele vou ao paraíso de minha Vênus
Sobre a concretização estou a elucubrar
Entrar na leira da cândida flor
No recrudescer amoroso ao me apaixonar

Covardia por incúria (2013)


O destino não se cansa de aprontar
Nos encontramos antes de meu estudo
Empalideci com sua presença
Vendo-a fiquei mudo

É admirável seu patriotismo
O orgulho em defender a natureza
Veste a camisa com alegria
Esbanjando sua enorme nobreza

Vi a maior frieza de olhares
Entre minha russa e o alemão
Não demonstram sentimentos
Distancia a conquista de seu coração

Aprecia assistir a arte da dança
Valoriza a cultura como czarina
Prefiro não ver esses passos
Sem os da minha meiga bailarina

A amiga mostra-se sapiente
Preserva a franja de minha amada
De incontestável jeito excelso
Imperatriz a ser observada

Não foi o aviso japonês
Que a avisou que era admirada
A situação torna-se insustentável
Vejo sua exasperação disfarçada

Gostamos de degustar doces
Sua maviosa doçura é sequiosa
Recende o recrudescer da beleza
Desabrochando minha lânguida rosa

Covarde fui ao te abandonar
No meu admirar não há dissimulação
Teus amigos lamentam minha incúria
O idealizado desejo de conquistar teu coração

Impressionaram-se com a intensidade de olhares
Me excelei no ato vezeiro de te admirar
Choquei-me com o aviso que me fará lampeiro
Teu cândido jeito empíreo lutarei para conquistar

50 Poemas intelectuais de um adolescente - Parte I (2013)



Nesse livro, escrito no final de 2013, produziu-se um continuum do ambiente literário iniciado em "100 poemas românticos de um adolescente". O cenário permanece sendo o idílio que à época envolvia dois estudantes do ensino médio/técnico e temporalmente se localiza no segundo semestre de 2013, sendo que a parte II da trilogia remete ao primeiro semestre de 2014 (período no qual fora realizado o Sarau), e a parte III envolve o segundo semestre daquele mesmo ano, tendo entre suas páginas a resolução da narrativa amorosa em questão, contada em poesia e em prosa, e responsável pelo início da minha vida de criação literária.

Especificamente sobre a parte I da trilogia, a maior distinção em relação ao livro de poesias anterior se encontra em relação aos conselhos e observações colocadas à época, por meio de amigos, familiares e a honrosa Professora Lourdes, que foram de fundamental importância para que a cada poesia pudesse se estabelecer uma evolução tanto no vocabulário, como na forma, sendo esta mais homogênea e padronizada, e no conteúdo em si, com a maior adoção cada vez mais frequente de ferramentas como analogias e a restrição daquilo que eu considerava uma "poesia crua", ou seja, uma mera descrição de eventos do dia-a-dia e o "elogio pelo elogio". O enriquecimento dos versos era o maior objetivo a ser vislumbrado na esfera poética até então e a trilogia pensada naquele momento deveria refletir esse compromisso pessoal.

Sem mais delongas, apresentarei nos próximos posts algumas poesias selecionadas desse livro, com um filtro (confesso) meticuloso e com critérios a fim de que sejam preservadas às identidades de outrem e demais questões de cunho pessoal.

Contradição da paisagem, Verão incompleto, Escolhas do Subconsciente, dentre outras escolhas poéticas virão nos próximos posts! 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Teia do amor (2013)


A dona do meu coração
Me grudou na teia do amor
Complexa e adorável
Nela há sempre muita cor

Pelo amor te sigo em tudo
Verdes são nossos aparelhos
Me guia nas decisões
Sou levado pelos lábios vermelhos

Quero atingir a felicidade
A teia tenho que escalar
Conseguir sua aceitação
E a idealização realizar

Passar a vida com ela
Uma bela teia construirmos
Ter ao meu lado sua nobreza
Para a nossa paz conseguirmos

Esperando a resposta (2013)


Como eu estava alegre e nervoso!
Sua presença me ilumina
Vê-la o dia todo é confortante
Me anima o sorriso dessa menina

Desde o início do dia
Sentindo o coração disparar
Tua intuição te guiando
Dizendo quando estou a te admirar

Sua nobreza me admira
Ajudando sua amiga japonesa
Acompanhando-a com as muletas
Enquanto eu admiro sua beleza

Continua o jogo de olhares
Na varanda nos olhamos intensamente
Mas de perto sou invisível
Mesmo olhando-a corajosamente

As mãos trêmulas denunciam
Eu preciso dessa adrenalina
Da feminilidade em meu dia
Dos mistérios da czarina

O destino está cansado de esperar
Tenho que criar a oportunidade
Conquistar a minha amada
E alcançar a felicidade

Coração melancólico (2013)


Fico tão feliz em vê-la
Mas triste com a impotência
Que me vem da timidez
E me causa tanta resistência

Ver sua beleza inalcançável
Extremamente delicada
Meiga e apaixonante
Que a faz minha perfeita amada

A vergonha quebra a porcelana
Reinando as ordens da czarina
Com a “distância” volta a melancolia
Me deixando distante dessa menina

É triste lembrar dos amores passados
Esse tem que tomar meu coração
Evitando a tristeza e o desinteresse
Das meninas que fizeram minha solidão

Ela reergue minha esperança
Seu jeito nobre e feminino
Diminuirá tristeza e mágoas
Para fazê-la feliz esse menino

Razão e coração são dela
O caminho à nobreza tenho que seguir
Como cavaleiro enfrentar dragões
E o puro coração da imperatriz conseguir

A volta da chama (2013)


Saudades tenho de minha amada
Sua beleza voltará a me esquentar
A chama prevalecerá ao inverno
Sua presença voltará a me alegrar

Das férias não terei saudade
Ao ver seu belo jeito feminino
Que tanto me encanta
E faz a felicidade desse menino

A franja esconde e dá o charme
Na sua boca aumenta o desejo
De ser digno da sua companhia
E conseguir sentir seu precioso beijo

Que volte às aulas
Para esse amor eu consolidar
Não cansar de te admirar
E o teu puro coração eu conquistar

Todo o cansaço será superado
O frio não mais sentirei
Voltarei vendo a bela paisagem
Desde o dia que me apaixonei

Minha czarina (2013)


Em São Petersburgo ou no Kremlin
Estará minha linda czarina
Estudiosa e delicada
Tenho honra de ser súdito dessa menina

Gosta de preservar o Meio Ambiente
Sua dança é a mais formosa
Sua elegância predomina ao inverno russo
Onde sobrevive essa linda rosa

Seus olhos cor-de-canela
Tem pele branca a minha musa
Aparência fria acompanhada pela franja
Torna-se a mais charmosa russa

Lênin se renderia a sua bondade
Ela é iluminada para governar
Acaba com pensamentos de revolução
Que lhe venha a sabedoria para me amar

Sempre admiro sua beleza
Fui pego pela chama do amor
Que vive no seu jeito feminino
Aquecendo na Sibéria minha única flor

Sorriso ofuscante (2013)


Ver teu sorriso é um presente
Caminho no fogo pensando em ti
O nervosismo sempre aparece
Estou feliz, pois te vejo aqui

Em Matemática combinamos
Mesmo número de acertos ela têm
É dedicada e isso me orgulha
As provocações do destino vêm

Vê-la com pressa é triste
Admirar pouco sua beleza
Ela que de perto não me repara
Fico abalado e chega a fraqueza

Cada dia é mais feminina
Correndo com o copo rosa na mão
Com seus leves passos
Sua inocência me diz não

Continuamos no jogo de olhares
Nesse romance que como eu é antigo
Sofrendo e te admirando incansavelmente
Nos estudos tua feminilidade é um perigo

Me apaixonei pela menina ideal
Nos meus poemas não faltará inspiração
A farei a mais feliz se eu for digno
De conquistar seu puro coração

Da menina de sorriso ofuscante
Do aparelho verde brilhante
Do amor que sou ou não principiante
Do seu jeito que me fez seu amante

Feminilidade que apaixona (2013)


Estou na minha época de provas
Ela provoca com perigo
Divide o pensamento com estudos
Me “puxa” para ser seu amigo

No almoço lê um livro
Vejo-a de forma constante
Sua intuição diz que a admiro
No meu coração é a mandante

O livro é largado para ver seu jeito
Suas poses me conquistam
O inocente presente feminino
Porém o meu amor nunca realizam

Sortudas são suas amigas
Que a abraçam a qualquer momento
Faz valer o dia com seu sorriso puro
E ajeitando seus cabelos ao vento

Não há mais feminina na escola
Funâmbulo na corda do amor
Me faz cego nas opiniões
Quero “mais cor por favor”

Nem mil poemas seriam suficientes
Para descrever a menina que me fez apaixonar
Essa delicadeza com sua beleza
A faz perfeita para o meu amar

Nostalgia da dança (2013)


Surpreso fiquei quando ouvi
Baixinho estava tocando
A música de minha amada
Da dança estava lembrando

Saudade dos belos passos
Quando estavas a dançar
Tua fria feminilidade
Me prendeu ao te admirar

Os seus lindos movimentos
Não tirei a concentração
Vendo-a me encantei
Tirou o resto do meu coração

O figurino era perfeito
Na saia tinha sensualidade
Me senti num campo florido
Daqueles minutos tenho saudade

Sua boca estava mais vermelha
Como uma rosa que desabrochou
Consegue sempre o impossível
Ali mais ainda me conquistou

Movimentos à la Bolshoi
Num teatro russo estava
Aplaudindo-a fortemente
Realizado, pois a admirava

100 poemas românticos de um adolescente (2013)




Nos próximos posts, pretendo mostrar aqui no blog algumas poesias advindas desse livro. O primeiro de poesias que escrevi no final de 2013, com poemas temporalmente localizados entre o primeiro e parte do segundo semestre daquele mesmo ano. Foram os primeiros versos que esbocei em minha vida, inspirado pelas aulas maravilhosas de Literatura da Professora Lourdes que apresentou à mim e aos seus alunos o período que considero mais fascinante e inspirador da literatura luso-brasileira, com nomes que me admiro profundamente como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Bocage, Almeida Garrett, dentre outras influências do período. Isso para não mencionar as referências fora desse eixo como Lord Byron, Victor Hugo, Goethe e na Rússia Púchkin e Lérmontov. Todos eles reúnem obras literárias que considero, na grande maioria dos casos, possuir algum tipo de conexão e influência em relação ao conteúdo da minha obra literária, especialmente durante o período descrito nesse post.

Nos versos que serão exibidos aqui nos próximos posts, será possível observar os primeiros passos de alguém que precisava encontrar um meio de se expressar naquele tempo, no qual se sentisse confortável para fazê-lo. Esse processo consistiu não somente no enriquecimento do vocabulário e no processo de obtenção e consolidação das rimas e o modelo a ser aplicado para estas, como também na adoção, cada vez mais, de figuras de linguagem, que por si só são uma mostra valiosa daquilo que mais se estabelecia em meu imaginário artístico, ainda sedento de um conjunto de referências culturais que viria de forma incremental nos anos seguintes, as quais que se estabelecem como um processo constante dentro da esfera da criação literária.

São poesias que trazem em si a busca pela evolução constante e frenética para um jovem da época, cujo tempo sabemos, se passa mais devagar, enquanto seu anseio é movido por forte ansiedade, além de demonstrar aquilo que é mais familiar aos versos literários, isto é, o sentimento pessoal do eu lírico e sua visão de mundo naquele período. Por consequência, afirmo que os poemas da época carregavam em si uma forte carga de intensidade nas emoções, pureza, cuja sinceridade e inocência me assustam quando os leio com o olhar dos dias atuais!

Mas para contar a história do meu processo criativo ao longo dos anos, até chegarmos à forma atual é preciso assim esboçar uma linha do tempo como pretendo que seja feito nesse espaço literário. Por isso, pretendo seguir a sequência de fases até os dias atuais para que esta trilha da vida seja lida e acompanhada, com a prioridade inicial voltada ao lirismo das minhas poesias, para depois adentrar à outros estilos literários e referências.

É um grande prazer nostálgico essa volta ao tempo! Boa leitura à todos!

Obs: deixo no final deste post algumas músicas que marcaram aquele período dos meus primeiros passos na literatura e que embalaram tanto o idílio em si vivido naquele momento, objeto de inspiração literária do período, como também tiveram alguma influência nas poesias e principalmente nos primeiros livros elaborados à época, como em citações ou mesmo como elementos participantes das narrativas em prosa pertencentes àquele ano.

  • Labrinth - Beneath Your Beautiful feat Emeli Sandé

  • P!nk - Just Give Me a Reason feat Nate Ruess

  • Emin - Walk Through Walls

  • Robbie Williams - Be a Boy


terça-feira, 19 de maio de 2020

Inauguração do meu espaço literário pessoal

Há exatos 6 anos atrás, um Sarau apresentado diante de uma sala de aula com quase 40 pessoas mudaria de vez a minha visão de mundo e a relação desta com o binômio poesia e romance, a importância da frequência e quantidade daria lugar à preferência pela intensidade da inspiração e seu impacto no texto literário. Ali inaugurou-se um espaço onde uma coletânea de poesias e apresentação do (breve) percurso artístico até então, aliadas às influências literárias da época me possibilitaram a "concretização sentimental" naquele tempo e espaço, atuando como "divisor de águas" na trajetória artística per si e na evolução como ser humano, acrescentando importante aprendizado e sabedoria na leitura em relação àquele evento, bem como ao seu legado. 

E penso ser a partir desse marco tão especial lançar esse novo blog, essa nova iniciativa de expressar e divulgar o meu trabalho literário. Um percurso de muitos anos, em que pessoas próximas e amigos entenderam a missão que me havia sido dada e incentivaram à criação esse espaço de literatura e reflexões pessoais. É com grande satisfação que posso dar início à mais um projeto dentro da minha vida, sabendo que assim é que somos movidos por ela e que damos o devido sentido à nossa breve existência neste planeta. 

Novas rimas, ideias, contos, crônicas, poesias, reflexões, textos e livros diversos. Tudo isso regado à um caldo cultural movido pelas mais diversas formas de arte: pintura, literatura, cinema, música, dentre outras. 

Aqui está o íntimo de mais de 7 anos de imersão em uma realidade paralela que ajuda a compreender e enriquecer o mundo real, podendo-se dizer inclusive que a imaginação é o ópio do poeta/escritor. Como sabemos, a realidade na qual habitamos é incapaz de explicar todos os seus mistérios e fenômenos, bem como nossa natureza humana. Para isso, a arte se encarrega em levar ao ser humano não apenas cor e leveza a cada dia de sua existência, como também deixa um legado para além de nossa missão em vida. 

Há 6 anos, esse íntimo era aberto pela primeira vez, em um Sarau, para um número considerável de pessoas (uma multidão para um tímido rs), e agora novamente tenho a oportunidade de selecionar e compartilhar, as obras mais marcantes dessa trajetória, que se reforma, mas continua constante, tendo também o compromisso de atualizar o catálogo a ser encontrado por aqui, sempre que necessário. 

Se "a cada ano a vida espera mais de nós", devemos honrar esse caminho dia após dia, assumindo a missão que é fornecida a cada um e tendo o compromisso com nossa evolução como pessoa e espírito, honrando o papel que nos cabe por aqui. 

Agradeço aos que me apoiaram nessa iniciativa a ser inaugurada no dia de hoje, nesse espaço de grande antologia literária, não somente minha, mas do que a conecta com a sua órbita. 

Bem-vindos ao meu mundo!

"E' l'amore che conta" - Giorgia Todrani

"Time waits for no one
That’s why can’t wait on you" - Rod Stewart

(Músicas de uma certa playlist de uma certa rádio ítalo-brasileira - 2013)